Padre é investigado por atropelar suspeito de furtar igreja em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) — Foto: Reprodução
Padre é investigado por atropelar suspeito de furtar igreja em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) — Foto: Reprodução

A Polícia Civil aguarda o exame de necropsia para saber se muda a acusação contra o padre Gustavo Trindade, que atropelou um suspeito de furto à casa paroquial, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). O caso ocorreu no dia 7 de maio.

Após mais de dois meses do acidente, Ângelo Marcos dos Santos Nogueira morreu nesta quarta-feira, dia 27 de julho. Ele estava internado na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo e apresentava sequelas como perda de massa muscular, dificuldade para comunicação, necessidade de uso de fraldas. Ele chegou a receber alta por um período, mas precisou retornar ao hospital.

De acordo com o delegado Valdir de Oliveira, que coordenou as investigações, dependendo do laudo, o processo contra o padre pode ser alterado de tentativa de homicídio para homicídio.

Novas perícias serão realizadas para esclarecer se o óbito está diretamente relacionado com o atropelamento. Caso isso fique comprovado, o caso pode passar a ser tratado como homicídio, diferente de como estava sendo conduzido até agora.

A diocese de Ourinhos informou, por meio de nota, que lamenta a morte e se solidariza com a família e amigos de Ângelo.

Motorista que atropelou suspeito de furtar igreja em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) foi identificado como sendo o frei Gustavo Trindade dos Santos — Foto: Reprodução
Motorista que atropelou suspeito de furtar igreja em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) foi identificado como sendo o frei Gustavo Trindade dos Santos — Foto: Reprodução

No dia 17 de junho, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o padre por tentativa de homicídio qualificado pela “utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”.

A Justiça aceitou a denúncia da promotoria, tornando o padre réu. No entanto, até a esta quarta-feira não constava no processo informação sobre citação do acusado, que passou a declarar endereço em São Paulo.

Uma câmera de segurança flagrou o atropelamento na Avenida Tiradentes. Nas imagens, é possível ver o momento em que o carro atinge Ângelo, que é arremessado.

O que diz a Defesa?

O padre Gustavo Trindade dos Santos só foi ouvido no dia 9 de junho porque não compareceu à sede do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), na Capital, quando foi intimado pela primeira vez. Quatro dias depois, ele ainda participou de uma missa.

Mesmo assim, o inquérito policial foi concluído, mas o MP solicitou a oitiva do padre para poder avaliar melhor o caso. Durante o interrogatório, o padre afirmou que havia terminado de celebrar um casamento, quando, na saída, escutou o alarme da casa paroquial e avistou um homem pulando o muro e fugindo do local.

Padre celebrou casamento antes de atropelar suspeito de furto — Foto: Reprodução

O padre disse, na oitiva, que ele e a pessoa que o acompanhava no carro chegaram a pedir para o homem parar durante a perseguição. No entanto, as imagens que flagraram o atropelamento mostram os vidros do carro fechados durante todo o trajeto.

Ainda conforme o frei, ele encontrou um caminho para fechar o homem, mas, quando ele entrou com o carro na calçada para pará-lo, o suspeito do furto na igreja se jogou sobre o capô do veículo.

Além disso, o padre afirmou no interrogatório que foi embora após o atropelamento porque temeu a possibilidade de o homem estar armado. Ele também disse que, ao perceber a presença de pessoas na rua onde ocorreu o fato, pediu a elas que chamassem a polícia.

Após o atropelamento, o padre contou que foi até o convento onde morava, guardou o carro, que pertence à Diocese de Ourinhos (SP), e viajou para Ribeirão Preto (SP), onde iria aproveitar o Dia das Mães e o próprio aniversário no dia posterior.

Polícia identifica segunda pessoa em carro dirigido por padre investigado por atropelar suspeito de furtar igreja — Foto: Arquivo Pessoal
Polícia identifica segunda pessoa em carro dirigido por padre investigado por atropelar suspeito de furtar igreja — Foto: Arquivo Pessoal

Investigação

Durante as investigações, a polícia descobriu que o frei Gustavo, apesar de habilitado, deveria ter renovado a carteira de habilitação em fevereiro de 2020.

A defesa do padre mostrou um documento da União Europeia que o autorizava a dirigir. O aceite, do tempo em que ele morava na Espanha, no entanto, não é válido em território nacional. Por esse delito, Gustavo deve responder apenas administrativamente junto ao Detran.

O inquérito policial indiciou o padre por tentativa de homicídio qualificado. Nas duas vezes em que a polícia fez pedidos de prisão, contudo, o Ministério Público se posicionou contra e os dois pedidos, que foram negados pela Justiça.

Já o homem atropelado chegou a ser preso em flagrante no dia do atropelamento, mas estava sendo investigado em liberdade. Segundo o BO, ele furtou três moletons e uma camiseta.

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